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Filha de Narcisa Ignácia e Jácome de Campos, ambos professores, Narcisa Amália nasceu em 1852 em São João da Barra, RJ. Em 1863 muda-se com a família para Resende, então próspera região cafeeira às margens do rio Paraíba, onde viveria até os 35 anos. Atuante desde cedo na imprensa, hoje é reconhecida como a primeira mulher a se profissionalizar como jornalista no Brasil. Em 1872, com vinte anos, publica pela editora Garnier, do Rio de Janeiro, seu livro de poemas Nebulosas. A obra é bastante comentada e vale à autora diversas homenagens. Admirada por sua beleza e inteligência, recebeu também críticas ácidas, que consideravam inadequado que uma mulher se manifestasse sobre temas como o fim da escravatura e da monarquia. Após um breve casamento em 1866, quando tinha treze anos, com João Batista da Silveira, falecido em 1876, Narcisa Amália casou-se novamente em 1880 com Francisco Cleto da Rocha. Após alguns anos, no entanto, o segundo marido, ressentido com a vida intelectual da esposa, proibiu-a de frequentar saraus literários e passou a espalhar a calúnia de que não era ela a autora de seus versos. Narcisa separa-se de Cleto da Rocha em 1887 e muda-se no ano seguinte para o Rio de Janeiro, levando consigo a filha, Alice Violeta, nascida em 1883. Na então capital do país, prestou concurso público, o que lhe permitiu ganhar a vida como professora primária, e chegou a fazer parte do Conselho Superior de Instrução Pública. Faleceu em 1924, aos 72 anos.
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