Rastilhos da mina põe em cena o papel exercido pela resistência dos escravizados na aprovação da lei de abolição do tráfico transatlântico de africanos, aprovada pelo Parlamento brasileiro em 1850. O livro, baseado em densa documentação, demonstra que a lei estava inserida em uma conjuntura na qual o Estado imperial passou a temer seriamente ao menos uma guerra estrangeira (com a Inglaterra ou com a Argentina, ou com ambas, simultaneamente), juntamente com uma guerra interna dos escravizados (ou várias). O receio de uma aliança entre os inimigos estrangeiros e os inimigos internos pesou profundamente na decisão do governo imperial de pôr fim ao tráfico de africanos.