O que aconteceu com o sonho de Brasil que marcou a tradição crítica do século XX? Durante décadas, intelectuais, artistas e críticos imaginaram que a cultura brasileira continha em si as pistas de uma nação por se realizar. Literatura, música, cinema e pensamento social buscavam decifrar o país ao mesmo tempo em que participavam de sua construção simbólica.
Em
Eis aí, o povo brasileiro , André Castro retorna a essa tradição - passando por autores como Antonio Candido, Roberto Schwarz e Alfredo Bosi - para examinar o momento em que esse horizonte histórico se esgota. A formação nacional, que antes organizava o trabalho intelectual e político, entra em crise no final do século XX, deixando a crítica brasileira diante de um impasse: como interpretar o país quando o próprio projeto de país parece ter desaparecido?
O livro propõe que, nesse vazio, outra imaginação coletiva ganhou força. Longe dos circuitos da antiga elite cultural, formas de religiosidade evangélica passaram a produzir novas imagens de comunidade, destino e missão nacional. Marchas, músicas, testemunhos e pregações não apenas reorganizam a experiência individual da fé, mas também ajudam a constituir um sujeito político capaz de disputar o sentido do Brasil.
Entre ensaio crítico, interpretação cultural e análise do presente,
Eis aí, o povo brasileiro investiga esse deslocamento histórico: da utopia cultural da formação nacional para a imaginação religiosa que hoje mobiliza milhões de pessoas. Ao fazê-lo, o livro procura responder a uma pergunta que atravessa toda a tradição crítica brasileira: que horas são no Brasil?