Quando Jesmyn Ward lançou "O canto dos insepultos", tornou-se a única autora a conquistar duas vezes o National Book Award, principal distinção literária nos Estados Unidos. O livro, descrito pelos jurados como "uma narrativa primorosa, concisa e de uma eloquência dilacerante, de tirar o fôlego", se situa entre um romance de formação e o típico road novel americano, com toques de conto fantástico e uma contundente crítica social.
"O canto dos insepultos" conta a história de Jojo, um garoto de 13 anos, e sua irmã mais nova, Kayla. Eles vivem na casa de seus avós negros, Pop e Mam, enquanto, do lado paterno, os avós brancos não os reconhecem. Leonie, a mãe, nem sempre presente, é uma mulher atormentada pelo assassinato do irmão, Given - com quem conversa quando está drogada -, e pela ausência do pai das crianças, Michael, que está preso.
Quando Michael está prestes a ser liberado, Leonie, uma amiga e as crianças embarcam numa longa viagem de carro, cruzando o estado para buscá-lo. Nessa jornada, a autora apresenta as complexas dinâmicas afetivas da família e, a partir dela, compõe um intenso retrato do racismo, da violência e da desigualdade a que está sujeita a população negra no sul dos Estados Unidos.
O canto dos insepultos, de 2017, foi selecionado como um dos 100 melhores livros do século XXI na famosa lista do The New York Times, além de ganhar o National Book Award e ser considerado o melhor livro do ano pelo The New York Times, Time, BBC, The New York Times Book Review e The Financial Times. É também o segundo romance da autora publicado no Brasil, depois de "A descida", lançado pela CARAMBAIA em 2025.